Entre plágios, memes e déjà vus, esqueceram da originalidade

Essa semana um anúncio do Portal O Dia causou polêmica no meio publicitário piauiense. Isto porque o tal anúncio se assemelha bastante a um anúncio do Paraíba veiculado um ano antes. De cara a acusação foi de plágio. De fato os anúncios são muito parecidos, daí afirmar que foi plágio não arrisco. Explico o porquê. Ambos os anúncios partiram da ideia de comparar o “antigo” com o “atual” através de imagens que se perpassam. Só que considero esse recurso um “meme”. Para entender mais sobre memes sugiro uma lida nesse post. Mas para simplificar, minha definição para memes é “ideias que se internalizam na cultura e na mente das pessoas de forma que o seu autor original é apagado e ela transforma-se num símbolo, num ícone ou num ideal que povoa o imaginário coletivo, passando a ser transmitida pelas pessoas, ou servindo de inspiração para outras idéias.”

Esse recurso de comparar o “antigo” com o “atual”, o “antes” e o “depois” através de imagens que se perpassam já foi bastante utilizado na propaganda (e por outras áreas também). Para citar alguns exemplos que recordo no momento, tem o comercial de lançamento do Ford Ka no Brasil, na década de 1990, no qual o automóvel aparecia na metade da tela em tempos atuais e ao passar pelos cenários, estes se transformavam em tempos antigos, com a imagem em tom de sépia ocupando a outra metade da tela. Atualmente está no ar uma campanha da TV Meio Norte sobre o aniversário de Teresina que também utiliza esse recurso. No filme são mostradas imagens antigas de pontos conhecidos da cidade, quando uma mão aparece na tela segurando uma fotografia atual do mesmo ponto se sobrepondo a imagem anterior. Isto, por sua vez, já foi feito pelo site Terra aqui.

Me recordo também de uma série de anúncios do sorvete Haggen Dasz que usavam duas imagens que se completavam, mas não consegui encontrar para ilustrar. Isto me lembra ainda aqueles anúncios que utilizam texto para formar uma imagem. Desde que alguém teve a idéia fazer isso, não parou de aparecer anúncios do tipo, de forma que já se tornou uma “espécie de meme” também.

Anúncio da Folha de S.Paulo (1998) e anúncio do Colégio CPI (2006): imagens formadas só com palavras. Plágio?

Voltando ao anúncio do Portal O Dia, foi uma cópia descarada do anúncio do Paraíba ou “apenas” memes postos em prática de forma “inconsciente”? Conheço os autores da campanha do Paraíba, por sinal, profissionais talentosos e que admiro. Achei a campanha interessante, tanto que divulguei no Broadside. O problema é que com o passar do tempo, e principalmente da maneira que são utilizados, os memes podem virar clichê. Portanto, antes do anúncio do Portal O Dia ser condenado por plágio, já pesa sobre ele um dos maiores crimes que se pode cometer na publicidade: a falta de originalidade. 

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