Minha passagem pela UFPI-2

O sonho realizado
Desde bem antes de imaginar que um dia me tornaria professor da UFPI, ainda como aluno, sempre que passava pelos corredores do DCS olhava as plaquinhas das salas dos professores com seus respectivos nomes. E confesso aqui que um dos motivos que faziam do fato de querer me tornar professor da UFPI um sonho era a vaidade. Conseguir adentrar no meio de uma academia seleta, composta de professores renomados e grandes pesquisadores era sim, sem hipocrisia nenhuma, um motivo de orgulho. Lá pude conhecer e conviver com nomes que antes só ouvia falar, como Prof. Magnus Pinheiro, Profª. Muna Kalil, Prof. Paulo Vilhena, Prof. Marcus Rezende, pioneiros no ensino da Comunicação no Piauí, e nomes fortes do jornalismo piauiense como Prof. Fenelon Rocha, Prof. Gustavo Said e tantos outros que fazem parte do quadro de professores da UFPI. Era motivo de satisfação também ser colega de profissão e sentar lado a lado de mestres que foram meus professores como a Profª. Jaqueline Dourado e Prof. Achylles Costa, na graduação e Prof. Paulo Fernando e Prof. Laerte Magalhães, no Mestrado.

Mas o que mais me fazia querer ser professor da UFPI não era a vaidade não. Era trabalhar fazendo o que eu gosto, era a liberdade de se trabalhar de uma maneira menos engessada, era ter a segurança e a estabilidade de um emprego público, era saber que, devido a isso, poderia desempenhar projetos a longo prazo, era ter a possibilidade de desenvolver projetos de pesquisa e, talvez principalmente, era a oportunidade de trabalhar com alunos mais interessados e comprometidos. Sempre ouvi de professores que tiveram experiência no ensino público e privado que os alunos de universidade pública são, em geral, mais esforçados, mais participativos, mais engajados e mais interessados. Queria comprovar essa tese, eu que por várias vezes já cheguei a me desmotivar dando aula em faculdade particular pelo fato de me dedicar na preparação de boas aulas e ter a atenção de apenas por uma pequena parcela de alunos que realmente tinham compromisso com o curso.

E que me desculpem meus caros alunos de faculdade particular, e que isso sirva para chamar a atenção de vocês, mas de fato senti uma diferença no modo de comportamento dos alunos da UFPI. A tese que me falavam (e que não fui eu quem criou) fazia sentido. Fiquei impressionado com a motivação e o engajamento dos alunos de Comunicação da UFPI. Estavam sempre presentes nas aulas, participavam, estudavam, se dedicavam, sempre faziam os trabalhos, e de forma bem feita.

As críticas
Também fui alertado sobre o nível de exigência dos alunos de universidade pública. Estava preparado para as críticas. E elas vieram, mas de uma maneira desgostosa. Aceito críticas, aquelas feitas com embasamento, com pertinência e que visam proporcionar a melhora de algo ou a correção de um erro. Mas não aceito críticas mesquinhas e principalmente não aceito mentiras. Sabia que o fato de não ser formado em Jornalismo poderia causar alguma discórdia entre os alunos.

Inclusive no momento em que escrevo estes pensamentos, no quadro “Twittadas” do “Programa 70 Minutos”, está sendo entrevistado o Reitor da UFPI, Prof. Luiz Júnior, e uma da perguntas feitas a ele partiu de uma estudante de Jornalismo da UFPI questionando por que no Curso de Comunicação existem professores que não são da área dando aula. Achei estranho, pois até onde eu saiba, os professores do Departamento de Comunicação Social da UFPI são todos formados em Comunicação. Talvez eu fosse o único não formado em Jornalismo. Mas lembro que Jornalismo e Publicidade são habilitações do Bacharelado em Comunicação Social. Claro, não são a mesma coisa, mas possuem muitos aspectos em comum.

Realmente minha experiência com Jornalismo não era extensa, mas procurei buscar orientação com profissionais da área. Nossa, isso foi alvo de revolta em alguns alunos. Mas por que meu Deus? Isso só demonstrava a minha preocupação em conhecer mais a área. Pior se eu não estivesse nem aí. Além do mais, conversar com profissionais do mercado é uma prática absolutamente normal. Quando lecionava em publicidade, e mesmo sendo publicitário, tinha o hábito de conversar com profissionais para saber sobre o mercado, etc. Principalmente pelo fato de se exigir Dedicação Exclusiva na UFPI, ou seja, o professor deve ser apenas professor, é que é  importante que o docente converse com profissionais atuantes na profissão para se inteirar sobre as práticas de mercado, o que está se exigindo do novo profissional, etc.

O problema maior foi que se aproveitaram deste fato para inventar mentiras. Falaram que eu disse coisas, mas que na verdade nunca pronunciei. Um mau começo para quem está numa profissão em que apurar a verdade dos fatos é requisito básico para ser um bom profissional. Acreditar que eu realmente disse certas coisas é desconhecer meu passado, meu caráter e no mínimo subestimar minha capacidade profissional. Se eu realmente tivesse falado o que disseram, estaria desdenhando de todo esforço que fiz para me tornar professor da UFPI e ignorando 7 anos de experiência como professor.

Em meio a elogios, cheguei a ouvir: “ah, mas ele nem é formado em jornalismo”. Não faz sentido instigar preconceito por este motivo. Primeiro: nem se exige diploma de Jornalista para exercer a profissão. A discussão desse ponto é infinita e só posso dizer que, em minha modesta opinião, quem é bom obtém sucesso, com ou sem diploma. O diploma é importante sim, e muito. Quem tem diploma possui uma vantagem, mas não tem tudo. Existem vários grandes jornalistas que nunca passaram pelos bancos da academia.

Segundo: existem jornalistas renomados formados em sociologia, economia e outras áreas que não jornalismo. E aqui aproveito para relatar um fato de experiência própria. Quando me graduei pelo CEUT, fiz parte da primeira turma do curso de Publicidade do Piauí. Como era um curso recente, era difícil encontrar professores formados em publicidade na região. Meus professores foram, na maioria, jornalistas. Inclusive muitos deles são ou foram professores da UFPI, como Margareth Leite, Jaqueline Dourado, Graça Targino, Achylles Costa, Cristiane Monte, João Batista Teles. Fotografia publicitária, planejamento de mídia, criação publicitária em rádio, pesquisa de mercado e muito mais do que aprendi sobre publicidade foi ministrado por jornalistas. E nem por isso me tornei um mau profissional. Pelo contrário, hoje graças aos ensinamentos que tive pude chegar até aqui para contar essa história. Deve se ter em mente que o professor em universidade é um orientador, ele indica o caminho, mas quem deve percorrer e desbravar o caminho é o aluno. O aluno não deve se limitar apenas ao que o professor ministra em sala de aula. Ele deve, por conta própria, ir além, buscar conhecer e se aprofundar mais sobre o assunto.

Terceiro: sempre me esforcei e me preparei quando ia fazer algo que não dominava. Prestei alguns concursos para Comunicação Social (que na verdade versavam sobre questões de jornalismo). No concurso do Ministério Público da União (2007) fiquei em 13º entre 87 concorrentes. No concurso da Secretaria de Saúde fiquei em 1º lugar.

<< Volta | Continua >>