Minha passagem pela UFPI-3

O estudo gera conhecimento
O que eu quero dizer é que não se deve dar importância prioritária a formação. Posso ter tido deficiências por não ser jornalista, mas procurei remediá-las através de muita leitura e pesquisas sobre a área. Comprei diversos livros, li muito sobre os assuntos, pesquisei bastante artigos, e daí somados com alguns conhecimentos meus mesmo, é que compunha o material das minhas aulas. As provas estão aí, nos slides utilizados, nos textos discutidos em sala de aula, no conteúdo dos seminários, etc. Quem disse que eu copiava tudo de um certo site de conteúdo colaborativo foi leviano e nunca assistiu a uma aula minha.

Sei que posso não ter sido o melhor dos professores, talvez nem tenha sido mesmo um bom professor, mas saí de cabeça erguida e com a consciência tranqüila de que me  esforcei e acima de tudo me dediquei. Portanto, não julguem o professor apenas pela sua formação. Julguem pela sua qualidade e seu comprometimento. Afinal é melhor ter um professor formado na área, mas que não tem comprometimento ou um que não é formado na área, mas é dedicado e se interessa em aprender e ensinar sobre o assunto?

Mais: foi-se o tempo no qual o professor subia em um tablado e estava acima dos alunos. A dificuldade em adquirir livros e obter fontes de pesquisas faziam do professor o detentor do conhecimento, o senhor absoluto da razão. Os tempos mudaram, livros baratearam e são lançados todos os dias, as bibliotecas se proliferaram e a internet veio propiciar acesso a informações de forma ágil e prática. Hoje professores e alunos dispõem das mesmas fontes de pesquisas. Hoje realmente é possível que tenhamos alunos que saibam mais do que alguns professores. Hoje a sala de aula é uma troca de experiências. O que prevalece do professor é a sua vivência. É preciso maturidade de alguns alunos para entender isso. Vamos abrir a mente.

Mesmo já tendo me desligado da UFPI, me senti na obrigação de responder às críticas, apesar delas terem partido de uma parcela de alunos que não representam a maioria. E esse pouquinho a mais de vivência que tenho, me credencia a dar um conselho, mesmo que conselho não seja bom. Já vivenciei situação em que aluno, no alto de sua altivez, perdeu a razão comigo em sala de aula. Ironicamente, tempos depois, seu currículo estava numa seleção de emprego da qual eu era o responsável. O mundo dá voltas que a gente nem imagina. No ímpeto da juventude é comum querermos protestar e revolucionar, mas digo que é melhor aproveitar o tempo investindo em si mesmo, se aperfeiçoando. Afinal, antes de criticar é preciso olhar pra si e se auto-avaliar: será que meus textos estão realmente bons, fluídos e condizentes com os preceitos da redação jornalística? Hum?
Humildade é uma virtude presente nos homens de sucesso e prezo muito por ela, mesmo que nesse texto ela possa ser questionada.

That’s all folks!
No mais só posso dizer que foi uma experiência incrível conviver com os alunos de Jornalismo neste curto período. As críticas isoladas não abalaram minha passagem pela UFPI. Me senti acolhido pelos alunos e tenho certeza que verei muitos deles alcançando o sucesso em breve. Posso dizer que aprendi mais do que ensinei. E, se acrescentei alguma coisinha nova no conhecimento dos alunos, já valeu a pena pra mim.

Infelizmente (ou felizmente) outras coisas aconteceram de uma certa forma imprevista e repentina. Em decisão difícil, acabei optando por sair da UFPI. Junto a isso, acabei deixando alguns projetos por realizar, como por exemplo, o engajamento na implantação de novas habilitações no Curso de Comunicação, incluindo aí a habilitação em Publicidade e Propaganda.

Não posso encerrar sem antes fazer algumas considerações. Não posso deixar de agradecer ao Prof. José Augusto, Diretor do CCE, e ao Prof. Magnus, então Chefe do DCS, por terem me convocado para lecionar na UFPI, dando um crédito de confiança a mim. Estendo esse agradecimento ao Prof. Laerte, porque não tiro a ideia de que, de alguma forma, ele contribuiu no processo que me levou a docente no Curso de Comunicação. Ao mesmo tempo deixo aqui minhas desculpas por não ter conseguido cumprir o que era esperado. Espero a compreensão de vocês e, acreditem, serei eternamente agradecido por terem me dado essa oportunidade.

Para finalizar um esclarecimento aos que não sabem o final da história e podem se questionar por que deixei a UFPI se durante todo o texto falei que estar lá era meu sonho. No mês de Abril fui nomeado num outro concurso em que havia sido aprovado. No auge da indecisão, e sob forte tensão, tive que deixar a emoção de lado e, por mais que ela falasse mais alto, agi com a razão. Às vezes o instinto de sobrevivência prevalece.

Atualmente estou no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), cargo conquistado com muito orgulho também, e os motivos que me levaram a essa escolha caberiam num outro artigo. Tive que deixar a UFPI, abandonar o sonho realizado. Talvez para continuar perseguindo um objetivo na vida. Talvez para continuar a sonhar esse sonho outra vez. Quem sabe seja apenas um “até logo mais”. Não é possível prever o futuro. Muitos me perguntam: e você tomou a decisão certa? Respondo: não sei. Mas posso dizer que um dia meu nome esteve nas plaquinhas das salas dos professores do Curso de Comunicação Social da UFPI, naquele mesmo corredor que me fazia sonhar.

PS: Que fique claro, estou feliz!

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3 pensamentos sobre “Minha passagem pela UFPI-3

  1. Mestre Breno,

    A sua trajetória é muita transpiração e inspirarão, e agora pra mim inspiradora. Meus parabéns, o TRE vai poder trabalhar melhor o seu posicionamento no mercado.

    Muita luz !

    Abração,

    Cândido

  2. Breno, eu sei o quanto você se esforçou e se esforça no trabalho. Você é merecedor de tudo que conquistou.
    Um beijo carinhoso,
    Carol🙂

  3. Poxa vida! Estou aqui no auge da indecisão de qual rumo tomar, se direciono para o mercado ou para o magistério. E seu depoimento me fez refletir em alguns pontos que não tinha pensado.

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