Plágio retroativo

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Dia desses estava no carro, ouvindo rádio, quando começa a tocar uma música, acredito que na voz de Marina Lima. A música dizia “Diferentemente lindo, surpreendentemente belo. Não me compare, sou incomum…” Na mesma hora, instantaneamente ao ouvir esses versos, me veio um estalo: “Putz, essa música daria um ótimo comercial!” Já começava a imaginar várias cenas tendo a música como pano de fundo.

Passaram-se dois dias, quando vejo na TV um comercial da Albany utilizando exatamente a música que eu ouvira na rádio. Pensei: “não pode ser! Pegaram a minha idéia!” Fui então pesquisar qual agência havia criado a campanha, e tive uma triste constatação: não pegaram a minha idéia, eu que peguei a idéia de alguém. A música que ouvi, e pela qual tinha me encantado, não era um hit da MPB, nem era da Marina Lima, nem tampouco de um compositor famoso. A letra da música é de autoria de Sérgio Valente, presidente da DM9DDB, a agência responsável pela Albany. E a música foi feita especialmente para àquela campanha. Por outro lado, fiquei feliz, pois pude constatar que meu feeling de publicitário está afinado, realmente aquela música dava um ótimo VT. Toda a campanha da Albany está belíssima, não tem quem não se emocione ao ver o comercial. A música caiu na boca povo, todo mundo cantarola os versos que animam o refrão, e essa é a maior prova de sucesso.

Mas o que eu quis dizer com tudo isso é que muitas vezes temos excelentes idéias, que coincidentemente também são tidas por outras pessoas em outras partes do planeta. O caso da Albany não é o primeiro que acontece comigo. Por outras duas ou três vezes já tive idéias, que nunca foram concretizadas e que tempos depois vi sendo veiculadas por outros anunciantes. É o que chamamos de plágio retroativo. Lembro que uma vez tinha todo um comercial na minha mente, que utilizava a música “O que é, o que é?”, do Gonzaguinha. Anos mais tarde, uma campanha do Banco Real utilizou essa música e as cenas eram bem parecidas com as que eu tinha imaginado.

A sensação de quem sofre um plágio retroativo é de frustração. O que se agrava ainda mais quando não se pode provar que você teve aquela idéia primeiro. E nós, publicitários habitantes de mercados menores, somos constantemente vítimas de plágios retroativos. Muitas vezes temos idéias geniais, mas que não podem ser concretizadas por falta de verba do cliente ou falta de recursos humano-tecnológicos locais. O fato de estarmos distantes dos grandes centros nos torna desconhecidos, e caso desejemos utilizar a idéia depois, vão pensar que o plagio foi nosso. É duro, mas nestes casos, não há muito que fazer. É melhor esquecer a idéia. Você vai ter que dar tantas explicações que não vale a pena. Anúncio chupado, ainda que involuntariamente, é filme queimado na certa. Quem sabe uma solução para isso seria criar um sistema de patente de idéias para campanhas publicitárias. Assim as idéias estariam protegidas, mesmo que surgissem bem aqui no Piauí.

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