Querer e não poder

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Querer é poder. Será? Nem sempre. Por exemplo, você assiste a uma propaganda e parte daquele ciclo conhecido como AIDA se completa. Ou seja, aquela propaganda te despertou a (A)tenção, causou um (I)nteresse pelo produto, provocou um (D)esejo de adquiri-lo, você possui o dinheiro para comprá-lo, porém não pode efetuar a última etapa do ciclo, que é a (A)ção. Isso porque mesmo que a propaganda tenha chegado até você, através de um comercial na televisão ou um anúncio na revista, aquele produto não existe na sua região.

Esse é um fato que vem acontecendo frequentemente comigo, principalmente quando vejo ofertas das Casas Bahia. Aquele garoto-propaganda pode até ser chato, mas as ofertas são uma tentação, dá vontade de sair correndo para comprar. Mas de que adianta anunciar uma TV 29” por uma pechincha e ainda divida em 24 vezes, se aqui não existe Casas Bahia? O mesmo acontece com os Postos Ipiranga. As propagandas, sempre bem humoradas, me fazem ter uma imagem tão boa e simpática da marca, que certamente se aqui tivesse Postos Ipiranga só abastecia lá.

De certa forma, esse meu desejo inacessível foi amenizado. Até pouco tempo, eu via um anúncio de página dupla do McDonalds estampando fotos deliciosas de seus sanduíches, mas nem podia sentir vontade de comer, porque sabia que não iria encontrar McDonalds aqui. Por sorte (pra quem gosta), o McDonalds voltou a se instalar na cidade. Isso também acontecia quando eu via os comerciais da C&A. Achava legal algumas das roupas mostradas, mas de nada adiantava, pois aqui não tinha C&A para que eu pudesse ir comprar. O que já foi resolvido com a chegada da loja ano passado.

Mas você pode se perguntar: se os produtos não estão acessíveis no Piauí, por que as propagandas são veiculadas aqui? Ano retrasado assisti a uma palestra do Roberto Justus (presidente do grupo Newcomm que atende as Casas Bahia), e como a palestra foi em Fortaleza, questionaram esse fato, já que também não existe Casas Bahia por lá. Ele explicou que apesar do nome, não existe nenhuma Casas Bahia no nordeste. As lojas (mais de 500) se concentram nos Estados da região sul e sudeste do país. Isso porque um dos diferencias das lojas – além do preço baixo e facilidade de pagamento – é a entrega super rápida. Eles possuem dois centros de distribuição, e a loja mais distante desses centros fica a menos de mil quilômetros. Portanto, seria inviável por enquanto, abrir lojas das Casas Bahia no Nordeste. Porém, pelo volume de mídia comprada por eles, fica mais barato comprar a mídia nacional do que apenas nas praças em que existe a loja. Justus também explicou que determinados pacotes só estão disponíveis para compra em nível nacional. Isso não deixa de ser bom para a marca, pois mesmo que ela não exista localmente, já vai se criando uma boa imagem dela, e caso um dia ela venha a se instalar na região, já estará conhecida.

Pena que por aqui as coisas sempre demorem a chegar. Enquanto isso continuarei a ver os belíssimos móveis da Tok & Stok nas páginas da Veja sem poder apreciá-los de perto. Continuarei me deliciando com as esfirras dos comerciais do Habib’s sem poder degustá-las. É… nem sempre querer é poder.

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