Super Nanny para clientes

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Ainda não sou pai, e com o mundo do jeito que está, às vezes chego a pensar como Machado de Assis e a célebre frase de Brás Cubas: “não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.” Independente disso, tenho acompanhado alguns episódios da versão brasileira de Super Nanny.

Para quem não conhece, Super Nanny é uma espécie de reality show onde uma psicopedagoga faz as vezes de babá. Ela é solicitada por famílias, cujos pais têm dificuldade em controlar os filhos, geralmente crianças pra lá de danadas. Nanny entra em ação observando as dificuldades, traçando planos de ação e criando novas regras para a família. Tudo com o intuito de ajudar os pais na educação de seus filhos.

Fazendo uma analogia com o meio publicitário, podemos observar que muitos clientes, principalmente em mercados menores, se assemelham com as crianças teimosas e birrentas do programa televisivo, e as agências muitas vezes precisam agir como uma Super Nanny.

Os clientes, de maneira geral, precisam ser educados. A maioria desconhece o processo de criação de uma campanha publicitária e acha que é tudo muito simples. Basta dizer o que deseja, que alguém da agência senta na frente do computador e como num passe de mágica o anúncio está feito. Talvez por pensar que tudo seja assim, simples e rápido, os clientes têm a mania de pedirem uma coisa e no dia seguinte já quererem vê-la pronta. É nessas horas que a agência deve agir como uma babá.

O desenvolvimento de uma campanha envolve estudos, pesquisas, planejamentos, noites em claro, principalmente para o pessoal da criação, que chega a passar dias em busca de uma idéia. É nesse sentido que os clientes precisam ser educados. A “agência Super Nanny” deve mostrar a ele que fazer propaganda não é tão fácil. Existe toda uma técnica, desde a pesquisa de mercado feita pelo planejamento até o tratamento de uma foto, tarefa essa que pode durar horas ou até dias, e muitos clientes acham que as imagens já vêm prontinhas só no ponto de colocar no anúncio.

Outro problema encontrado pelas agências são os clientes teimosos, birrentos, que querem tudo à sua maneira, assim como as crianças traquinas que a SuperNanny tem que lidar em seu programa. Esse tipo de cliente adora pintar o 7 e bagunça todo o anúncio criado pela agência. Mudam a cor, o texto e pedem para deixar a logomarca bem grande. No final, o anúncio mais parece uma garatuja feita por uma criança de 6 anos. Nesse tipo de situação, as agências também devem dar uma de babá, recriminando o cliente e mostrando a ele que nada é feito por acaso. A escolha da cor, da foto, a ordem dos elementos, enfim, tudo tem uma fundamentação técnica para atingir o consumidor. É preciso que o cliente entenda e aprenda essas lições, nem que para isso ele seja mandado para o “tapete da disciplina.”

O ideal é, assim como SuperNanny faz no programa, disciplinar e criar regras para estabelecer um clima de harmonia, onde pais e filhos, ou melhor, clientes e agências, se respeitem. Caso contrário, vai ter muito cliente desobediente colhendo maus resultados nas vendas, e mais uma vez as agências encarnarão o papel de babá, tendo que agüentar a choradeira.

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