Varejo Criativo

Somos diariamente bombardeados por propagandas de varejo, aquelas que apresentam ofertas gritadas por um locutor, com preços bem destacados dentro de splashes, que fazem BUM! quando caem na tela. Às vezes são apresentadas por um garoto-propaganda e geralmente vêm acompanhas por expressões como “Imperdível”, “Aproveite”, É só até amanhã”, “Venha correndo”.

Dizem que propaganda de varejo não pode ser criativa. A MohallemMeirelles tempos atrás até veiculou um anúncio ironizando a “pasteurização” do comercial de varejo.

anuncio MohallemMeirelles

Tudo bem que, em primeiro lugar, o  varejo tem a “responsabilidade de vender”. Mas isso não significa que deva ser sempre pela maneira mais óbvia e apelativa. Comunicação de varejo não é só questão de preço. É preciso também combinar o conceito e criatividade para transmitir valor de marca.

É o que a Ikea, gigante sueca do ramo de móveis, tem feito ao longo dos anos. Hoje ela possui um posicionamento forte, aliado a preços baixos e uma comunicação de varejo bastante criativa.

ikea - sale ikea_sale_bed ikea_sale_sofa ikea_sale_ward

Essa série de anúncios para divulgar o preço promocional do Smart foi bem criativa. Levou leão de bronze em Cannes.

Bronze - Smart - preço nao dura muito2 Bronze - Smart - preço nao dura muito1 Bronze - Smart - preço nao dura muito3

Essa é uma campanha de varejo de uma galeria comercial que vende vários tipos de produtos. O inusitado (criativo) ficou por conta dos modelos aparecerem espirrando. Veiculada no período do inverno, quando as pessoas costumam ficar gripadas, a campanha aproveitou para vender remédios e roupas de uma vez só.

Mais exemplos de anúncios de varejo criativos:

zoológico

varejo criativo Varejo_Chevrolet

Esse comercial para um supermercado sueco se tornou um ícone do varejo criativo e uma prova que é possível divulgar os preços sem precisar de “gritar” para o telespectador.

Broadside – A propaganda vista por dois lados

Caros visitantes deste blog brasil afora. Para quem não sabe, o autor que vos escreve também é titular de um outro blog, chamado Broadside, do qual originou-se o livro “Broadside – A propaganda vista por dois lados”, lançado por nós em 2011.

Quem ainda não conhece, o livro “Broadside – A propaganda vista por dois lados” consiste numa coletânea de 28 artigos, que exploram os vários aspectos que envolvem o universo da propaganda. São 23 artigos de opinião, escritos durante os anos como redator em agência de publicidade, e 5 artigos científicos, elaborados durante o curso de Mestrado.

Com isso, os textos abordam tanto a prática cotidiana do profissional de publicidade – o mercado de trabalho, a relação cliente e agência, tendências em comunicação, criatividade e técnicas publicitárias – como o lado acadêmico da propaganda, através ensaios científicos que inserem anúncios publicitários como objeto de estudo investigados sob a ótica da Linguística e suas disciplinas como a Estética de Recepção, a Semiótica e a Análise dos Discursos Sociais.

É um livro voltado para publicitários, comunicadores, professores, estudantes, curiosos e apreciadores do universo da propaganda, aspirantes a mestrandos e interessados em comunicaçao e linguagem em geral. A obra pode ser indicada como bibliografia complementar para disciplinas introdutórias que tratem das questões do mercado publicitário, bem como para cursos que contemplem os aspectos socioculturais e históricos da atividade publicitária – nesse aspecto, o interesse da obra contempla professores e estudantes de graduação e pós-graduação, assim como pesquisadores da área de comunicação e linguística.

Para quem se interessar mais, o livro conta com um hotsite.
E quem desejar adquirir, basta entrar em contato conosco pelo e-mail: falecomigo@brenobrito.com. Custa apenas R$ 30,00 (com envio grátis).

Artigo: Processo criativo em propaganda

Alunos da CS5/CS6, estou deixando aqui um artigo intitulado “Processo criativo em propaganda e intertextualidade”. Trata-se de um artigo científico escrito pelo Prof. Dr. João Carrascoza. É um texto muito interessante e trata de alguns assuntos que estamos abordando na disciplina.
O que vocês deverão fazer:
● Baixar o arquivo.
● Ler o artigo e trazê-lo para nossa próxima aula.
● Fazer uma resenha do artigo.

Dissertação: Da brancura à sujeira

Já havia postado aqui no blog os slides da apresentação de minha dissertação “Da brancura à sujeira: uma análise dos discursos das propagandas do detergente em pó Omo”.
Agora, com o trabalho revisado e (finalmente) entregue, disponibilizo os elementos iniciais e a introdução da dissertação. Para quem se interessar mais, o trabalho completo está disponível para a leitura na biblioteca da UFPI e, futuramente, pretendo lançá-lo em forma de livro.

● clique aqui para baixar.

A eleição das logomarcas

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Estamos em período eleitoral. Nessa época é comum as pessoas, candidatos, no caso, transformarem simples nomes em logomarcas. O objetivo e os princípios de criação dessas logomarcas não diferem muito dos utilizados na criação de logomarcas para empresas. Portanto, elas devem representar e traduzir graficamente toda a identidade e filosofia do postulante ao cargo eletivo. A diferença é que as logos utilizadas por candidatos são descartáveis, utilizadas apenas por 3 ou 4 meses, e, às vezes, reaproveitada depois de 4 anos, no próximo pleito.

Iremos analisar apenas as logomarcas dos três candidatos ao governo do estado do Piauí com maior destaque no cenário eleitoral, até porque os outros candidatos sequer possuem uma logomarca. Antes que comece uma discussão sobre o termo correto, se logomarca, logotipo ou identidade visual, optamos por utilizar a primeira forma (às vezes abreviada como logo), por ser de fácil entendimento do público em geral e porque ainda é adotada por muitos publicitários renomados e com autoridade para falar sobre o assunto.
Deixamos claro que nossa análise é livre de qualquer posição político-partidária e é realizada levando-se em conta princípios da semiótica, da psicodinâmica das cores e da comunicação visual.

Iniciamos com a logomarca de Sílvio Mendes, que traz apenas o primeiro nome do candidato grafado em caixa alta e levemente inclinado para a direita. A logo usa fonte sem serifa. As fontes bastão, ou sem serifa, são utilizadas pela quase totalidade dos candidatos em suas logomarcas. Isso se justifica porque as fontes desta família possibilitam boa legibilidade, mesmo a distância, além de que transmitem credibilidade, solidez e seriedade. A inclinação da fonte para a direita gera a sensação de movimento, de seguir em frente, e atribui ao candidato essa característica de dinamismo. Notamos que o nome de Sílvio está divido ao meio por uma linha. Essa ideia de divisão / separação não gera uma percepção positiva, pois pode ser associada a algo desunido, onde não há coesão. A letra “V” aparece “estilizada” num símbolo que remete ao sinal de vitória feito com os dedos indicador e médio da mão quando totalmente estendidos. As cores verde e amarela utilizadas no símbolo e a estrela que aparece na “perna” esquerda do “V” fazem uma alusão à bandeira do Piauí, demonstrando o patriotismo do candidato. Já a combinação do amarelo com o azul associa claramente o candidato ao seu partido, o PSDB, que possui essas cores. O número do candidato surge à direita, também em fonte encorpada, e a expressão “governador” aparece embaixo do nome do candidato, também em tipo sem serifa, mas com espessura mais fina.

A logomarca do candidato Wilson Martins também utiliza fontes sem serifa, em caixa alta, com leve inclinação para a direita. A explicação por essa opção na grafia do nome já foi exposta acima. Enquanto a logomarca de Sílvio usa uma combinação de cores frias, na logo de Wilson predominam cores quentes (vermelho e laranja). As cores quentes transmitem energia, agitação. A escolha por este jogo cores também faz referência ao PSB, partido de Wilson Martins, que utiliza a mesma tonalidade de cores. Há ainda um toque de verde, talvez para aludir às cores da bandeira do Piauí. A haste direita da letra “W” foi estilizada, transformando-se numa seta apontando para cima. A seta para cima remete a ideia crescimento, de algo positivo. Porém, se tomarmos a letra “W” como um todo, notamos que ela representa um tipo de gráfico comumente utilizado por empresas para avaliação de desempenho. Daí pode-se interpretar, pelo traçado da seta formando a letra, que o candidato vem de altos e baixos, o que sugere instabilidade e incerteza. Há ainda uma “incoerência”, pois o gráfico que aponta o crescimento é geralmente apresentado na cor azul, ficando a cor vermelha para designar o índice de baixa ou queda. O número que representa o candidato é grafado com a mesma família de fonte do nome do mesmo, sendo posicionada do lado direito dentro de uma elipse. A expressão “governador” aparece em cima do nome do candidato, também em tipo sem serifa, mas com espessura mais fina.

Já a logomarca do candidato João Vicente apresenta-se como a mais simples entre as três analisadas. Na grafia do nome do candidato também foi empregada uma fonte sem serifa, porém, ao contrário das outras duas, não foi utilizada uma variação bold (grossa), e sim condensada. Outra diferença é que o nome candidato não está em caixa alta, nem apresenta nenhum tipo de efeito. As cores presentes na logo são apenas o vermelho e o preto, fazendo uma clara alusão ao partido do candidato, o PTB. O único detalhe estilizado na logo de João Vicente é o acento “~” que aparece duplicado, na cor vermelha, formando a bandeira de seu partido. O número do candidato vem em cima de seu nome e utiliza uma fonte serifada com corpo mais espesso.

Numa análise geral, observamos que as logomarcas de Sílvio e Wilson utilizam recursos muito parecidos (tipo e formatação das fontes e presença de um sinal gráfico estilizado), diferenciando-se basicamente pelo esquema de cores, enquanto a primeira opta por uma combinação de cores frias, a segunda tem predominância de cores quentes. Há de se observar que tudo que está presente em uma logomarca significa algo, por isso, é preciso ter cuidado em não deixar margens para que nenhum elemento possa vir a ter alguma conotação negativa. No caso de Silvio, a linha divisória que corta seu nome sugere uma separação, uma desunião. No caso de Wilson, o gráfico formado pela letra inicial do seu nome demonstra altos e baixos, passando a sensação de instabilidade. A logomarca de João Vicente, ao tempo que se destaca pela simplicidade, perde identidade por não apresentar elementos diferenciados e que remetam a alguma característica do candidato.

Aliás, um ponto comum nas três logos analisadas é que todas fazem grande referência aos partidos dos candidatos, enaltecidos na combinação de cores e sinais. Parece que os candidatos preferem se identificar mais com os partidos do que criarem uma identificação própria para transmitirem aos eleitores. Apesar da importância que uma logomarca desempenha na formação da imagem do candidato e na fixação de seu nome (e número) na mente dos eleitores, não é esse um fator que leva o eleitor a escolher um candidato (há menos que você seja um publicitário ou designer gráfico). Dessa forma, nem sempre a melhor logomarca sagra-se vencedora nas urnas.